BYD e o sonho negado aos trabalhadores

03/10/2025

No próximo dia *9 de outubro*, a BYD inaugura oficialmente sua fábrica em Camaçari, com a presença do presidente *Luiz Inácio Lula da Silva*. Um marco para a Bahia, para o Brasil e para a própria montadora chinesa, que aposta pesado na eletrificação e no futuro da indústria automotiva nacional. No entanto, para uma parte significativa dos trabalhadores, esse sonho já começa com frustração: *eles não estarão presentes no ato de inauguração da empresa que ajudaram a erguer.*

A decisão da BYD de conceder folga a grande parte do efetivo nesse dia significa, na prática, *excluir os próprios operários do momento histórico da companhia no país*. O contraste é inevitável: na inauguração da concorrente *GWM em São Paulo*, também com a presença de Lula, *todos os trabalhadores participaram da celebração*. O clima foi de entusiasmo e pertencimento – um verdadeiro marco coletivo.

Esse tipo de reconhecimento não é novo. *Em Camaçari*, a antiga *Ford* já havia demonstrado a importância de integrar seus colaboradores em momentos simbólicos. Quando inaugurou a fábrica de motores ou quando celebrou a marca de *2 milhões de veículos produzidos*, a empresa liberou *todo o efetivo* para participar da festa. A mensagem era clara: *o trabalhador faz parte da conquista*.

A atitude da BYD, portanto, soa como um contrassenso. Se a marca que se apresenta ao mundo com o lema “*Build Your Dreams” (Construa Seus Sonhos)* não permite que seus trabalhadores participem do início oficial desse sonho no Brasil, *qual é o verdadeiro significado da promessa ?* De que adianta construir sonhos se aqueles que carregam o peso da produção – com seu *sangue, suor e dedicação* – são afastados do palco principal?
O sindicato até buscou alternativas, propondo a troca do dia de trabalho (9 de outubro) por uma folga em 18 de outubro. Houve avanços em negociações paralelas, como a elevação das horas extras para 80%. Mas nada disso substitui o essencial: o direito de cada trabalhador estar presente nesse marco.

Uma inauguração não é apenas um ato institucional, tampouco um evento de marketing. É o batismo de um projeto coletivo, onde cada parafuso apertado, cada solda e cada turno cumprido são parte fundamental da conquista. *Retirar o trabalhador desse momento é esvaziar o simbolismo da festa e transformar o sonho em um pesadelo de exclusão*.

Como destaca *Júlio Bonfim, liderança do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Camaçari:* “Se a BYD deseja realmente construir sonhos no Brasil, precisa começar reconhecendo quem os torna realidade: seus trabalhadores. Sem eles, não há futuro, não há fábrica e não há sonho possível.”

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